Quintela

 

Quem sai de Vila Real pela estrada velha para o Porto, encontra à entrada da ponte sobre o rio Cabril – a ponte de Almodena – e para a direita, uma estrada camarária que serve, com ramificações várias, duas freguesias – Vila Marim e Mondrões – e diversos povoados dispersos pela encosta da serra do Alvão.

Chega-se ao cruzamento que, à esquerda, sobe para Mondrões e já à vista de Vila Marim, a sorrir no seu casario branco, mete-se por um ramal que, em direcção a poente, leva à aldeia humilde de Quintela.

Aí nos surge, robusta, mas esbelta, a Torre medieval que segue o modelo geral das torres de menagem construídas na época.

Abandonada durante largos anos, resistindo, no entanto, às inclemências do tempo que ainda a marcaram, foi recuperada pelo Instituto Português do Património Cultural, mercê da acção insistente do Pe. João Parente.

 

 

Situada no sopé da serra do Alvão e dominando uma paisagem rústica, a Torre de Quintela ergue na luz as suas simples e graciosas linhas arquitectónicas, entre a verdura do arvoredo que a enquadra.

Observada da cidade de Vila Real, de cujo ex-líbris faz parte e de que dista uns escassos 5Km, sugere uma atalaia avançada, pronta a vigiar atenta os movimentos de qualquer possível inimigo que, pelo poente, tentasse atacar a vila dionisina.

Tudo indica, porém, tratar-se de mansão senhorial, construída ao gosto de uma época em que as necessidades de defesa impunham modelos adequados a esse fim. Aí viveram certamente nobres senhores, quiçá descendentes de uma das mais nobres famílias de Entre o Douro e Minho, em 1071.

A imaginação de Camilo Castelo Branco, cujo espírito parece pairar ainda por toda a região circundante, localizou nela algumas das cenas mais dramáticas do seu romance Anátema.